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Polícia confirma casos de abuso sexual em creches

Polícia confirma casos de abuso sexual em creches

A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) confirmou o caso de abuso sexual de uma menina de três anos na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Fátima de Jesus Diniz Silveira, localizada na Vila Nasser, em Campo Grande.

A violência praticada pela funcionária da instituição teria acontecido no dia 30 de maio. O abuso sexual foi descoberto após a vítima ter relatado à mãe que a funcionária da Emei teria passado a mão em suas partes íntimas.

A queixa foi registrada na DEPCA no dia 1º de junho. Logo em seguida, a menina foi ouvida pelo setor psicossocial da delegacia onde revelou, novamente, o abuso.

De acordo com a delegada titular da DEPCA, Fernanda Felix, o depoimento da vítima foi colhido apenas uma vez, na presença de psicólogos e com uso de técnicas em que a criança expõe o ocorrido sem ser sugestionada por terceiros.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) esclareceu que tomou todas as providências, imediatamente, após ter conhecimento da denúncia do caso ocorrido na Emei, localizada na Vila Nasser, no dia 1º de junho de 2022, quando a funcionária foi afastada de suas funções na unidade.

“Esclarecemos que o caso da unidade localizada na Vila Nasser não envolve professora. Na esfera administrativa, a Semed abriu procedimento disciplinar, que está em tramitação, sob sigilo legal para a proteção das vítimas”, diz a nota.

Conforme a pasta, em relação ao inquérito policial, “a Semed não foi informada sobre a conclusão da mesma. A investigação do caso é de responsabilidade das autoridades competentes. A Semed prioriza a garantia integral e a proteção da criança e repudia qualquer tipo de violência”, finaliza a nota.

A delegada Fernanda Félix ressaltou que mais um suposto caso de abuso sexual em Emei está sendo investigado pela DEPCA. Conforme apurado, fortes indícios apontam que de fato, a violência foi praticada.

Após a retomada das aulas presenciais na Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande, 29 casos de abuso sexual já foram identificados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) entre os meses de março e abril deste ano. É importante salientar que esses casos ocorreram fora do ambiente escolar.

CASOS MAIS RECENTES

As denúncias de abuso sexual nas Emeis não são casos isolados. Na terça-feira (7), um homem de 58 anos, conhecido pelas vítimas como “Belo”, foi preso por abuso sexual infantil, em um centro recreativo localizado no Jardim Panamá.

O homem morava próximo à unidade, onde três crianças e um adolescente eram cuidados. Duas crianças de cinco anos e outra de seis anos confirmaram o abuso.

A mãe da primeira vítima relevou que a violência sexual começou no dia 25 de março. A segunda criança, com cinco anos, é filho da dona da unidade recreativa, que também tem um segundo filho, com 12 anos.

Ao setor psicossocial da DEPCA, o mais novo confirmou que “Belo” o violentava passando as mãos em suas partes íntimas. No local também funcionava um salão de beleza unissex, frequentado pelo acusado.  

EM INVESTIGAÇÃO  

Ontem, uma aluna com Transtorno do Espectro Autista (TEA), de nove anos, revelou à mãe ter sido abusada sexualmente em uma escola na Vila Sílvia Regina, em Campo Grande. O crime foi descoberto pela progenitora, que desconfiou do comportamento agressivo da filha.

A menina apresentava sinais de irritabilidade e nervosismo. Ao chegar em casa, a criança relatou sentir dores nas partes íntimas. Nesse momento, a mãe notou uma vermelhidão no local e acionou a Polícia Militar.

À polícia, a mãe contou que a menina estava há cinco meses na escola e que, segundo a filha, a agressão teria sido cometida por um homem, que passou o dedo nas genitais e a agrediu na unidade de ensino. O caso segue em investigação na DEPCA.

DUAS VÍTIMAS POR DIA

Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) são alarmantes: a cada 24 horas, duas crianças são estupradas em Mato Grosso do Sul. De janeiro a maio deste ano, 298 casos de abuso sexual a menores de 12 anos foram registrados.

Com a média de uma criança violentada sexualmente a cada dois dias, Campo Grande registrou 98 casos apenas nos primeiros cinco meses deste ano. Em todo o ano passado, 257 estupros ocorreram na Capital, o equivalente a 30,7% dos 835 casos computados em todo o Estado em 2021.

Durante o primeiro ano de pandemia de Covid-19, os dados são ainda mais substanciais, com 978 estupros registrados em Mato Grosso do Sul, sendo 295 em Campo Grande.

Conforme o balanço do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em âmbito nacional, a cada 10 minutos uma menina ou uma mulher foi estuprada no Brasil em 2021, considerando apenas os casos que chegaram às autoridades policiais.

SINAIS DE VIOLÊNCIA

Em entrevista ao Correio do Estado no início deste mês, a psicóloga Izabelli Coleone explica que os pais precisam ficar atentos a qualquer sinal de mudança no comportamento dos filhos. Atitudes retraídas, dificuldade na comunicação ou isolamento podem ser alguns dos sinais de abuso sexual.

“Quando uma criança entra em sofrimento, independentemente da razão, vemos mudanças no comportamento. Às vezes, ela pode ficar mais retraída, recusar o toque, ou ter receio de ficar sozinha, se o abusador, por exemplo, faz parte do convívio familiar”, ressaltou a psicóloga.  

INOCENTADA

Após 28 dias de investigação, a professora de uma escola particular em bairro nobre de Campo Grande não foi indiciada por crimes de estupro de vulnerável ou maus-tratos, após denúncias feitas pelas famílias dos alunos.

Em coletiva na DEPCA, a delegada do caso, Fernanda Felix Mendes, salientou que, durante a investigação, foram analisados 15 dias de filmagem da escola. Também foi identificado que quem levava as crianças ao banheiro eram as funcionárias auxiliares.

Após a análise, segundo a delegada, não foram identificados nenhum ato anormal da professora investigada e nem das auxiliares. “O que nós temos comprovado é uma rispidez no trato de uma criança em 2021”, afirmou Félix.

Na ocasião, a professora sentou a criança na cadeira e puxou seu cabelo. Além das filmagens, foi feita análise nos aparelhos eletrônicos da professora e de seu marido. Nada foi encontrado. (Colaborou Alison Silva).

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Data: 10/06/2022