Odilon chama ditadura de ‘Governo Militar’ e provoca polêmica

A polêmica em relação ao período de ditadura militar ganhou ingrediente regional nesta semana, com a declaração do candidato do PDT ao governo do Estado, Odilon de Oliveira, chamando o período “Governo Militar”, negando que tenha havido didatura, e dizendo que os governos dessa época fizeram “muito pelo Brasil”. A declaração feita a uma rádio local ocorre na semana em que documentos da CIA, a agência de inteligência norte-americana, relevou que 104 assassinados foram autorizados por num dos militares a ocupar o poder, Ernesto Geisel.

“Na minha conceituação não tivemos uma ditadura e sim um Governo Militar, que fez muito pelo Brasil. O Governo Militar começou com uma movimentação já em andamento. Evidentemente atuou em uma contra revolução. Então, não tenho nenhuma crítica ao Governo Militar, nem aos governos posteriores (a não ser quanto à corrupção). Não entendo o Governo Militar como uma ditadura. Ditadura temos até hoje, a ditadura branca, outras ditaduras”, afirmou Odilon.

Um dos trechos do documento sigiloso afirma que os “métodos extralegais” deveriam continuar. “Descreveu o trabalho do CIE contra a subversão interna durante a administração do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici. Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista, e afirmou que métodos extralegais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos”.

A declaração não foi bem recebida por integrantes recém-chegados ao partido, como apurou a reportagem. O PDT é uma das legendas que tenta herdar o capital político do Partidos dos Trabalhadores (PT), que perdeu só este ano mais de 700 filiados, parte deles agora filiada ao PDT. A história do partido também é marcada pela luta contra o regime ditatorial, que o coloca entre as legendas consideradas mais progressistas.

Um dos fundadores e expoentes mais conhecidos do partido foi Leonel Brizola. Brizola foi, inclusive, exilado durante o regime. Com a deposição do presidente João Goulart pelos militares, em 1964, ele foi obrigado a permanecer no Uruguai. O político só voltou ao Brasil em 1979, com a lei de Anistia.

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