ASSUNÇÃO, PARAGUAI – O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou nesta semana o processo de resolução e liquidação do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A medida drástica foi tomada após uma auditoria apontar insolvência e irregularidades contábeis graves. O colapso financeiro provocou um terremoto político, resultando na renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e na abertura de investigações criminais por parte do Ministério Público.
Resumo dos Fatos
- Fraude Contábil e Insolvência: A fiscalização do BCP revelou que o Ueno Bank realizou empréstimos irregulares e sem garantias para empresas ligadas aos próprios controladores. O índice de solvência da instituição despencou para menos da metade do mínimo exigido por lei, tornando a continuidade das operações inviável.
- Impacto em Massa: Com cerca de 3 milhões de correntistas, o banco digital era um dos maiores emissores de cartões do Paraguai. Imediatamente após o decreto, as contas foram bloqueadas, as transações eletrônicas suspensas e as agências amanheceram fechadas sob forte esquema de segurança policial para conter protestos e tentativas de saque.
- Rombo nos Cofres Públicos: A crise ganha contornos ainda mais graves devido à alocação de centenas de milhões de dólares de fundos públicos e da previdência social paraguaia (IPS) na instituição, gerando forte cobrança sobre o governo.
- Estopim Político: O caso gerou desgaste direto para o presidente do Paraguai, Santiago Peña, devido a ligações históricas com o grupo controlador do banco. Diante da pressão popular e do mercado financeiro, o chefe do Banco Central, Carlos Carvallo, entregou o cargo.
Fundo de Garantia e Próximos Passos
O Banco Central do Paraguai confirmou o acionamento do Fundo de Garantia de Depósitos. O mecanismo assegura o reembolso legal de até Gs. 228.300.000 por cliente individual. No entanto, correntistas e fundos com valores acima desse teto enfrentam incertezas e já iniciaram mobilizações jurídicas para tentar reaver o patrimônio retido.
Paralelamente, o Ministério Público paraguaio emitiu ordens de prisão e bloqueio de bens contra diretores e principais acionistas do grupo financeiro. O caso vem sendo amplamente comparado por analistas internacionais a grandes escândalos de insolvência bancária na América Latina devido à rapidez da derrocada e ao volume de clientes afetados.
Fonte dos dados da pesquisa:
- Reportagem especial sobre a crise econômica no Paraguai veiculada pelo portal g1 (Globo).
