26/10/2021

Aliados querem Bolsonaro de colete e em carro fechado na posse

Futuro ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno disse ser provável que o presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), desfile de colete à prova de balas e em carro fechado no dia da posse, em 1º de janeiro de 2019. As medidas de segurança para a posse estão sendo discutidos pelo governo de transição com a Polícia Federal e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

“Por mim seria no ‘papa-móvel’, mas não sei nem se está funcionando. Acho temeridade ser em carro aberto. Todos os itens de segurança estão sendo analisados”, disse Bebianno. Segundo ele, é “provável” o uso de colete pelo presidente eleito no dia 1º.

Conforme afirmou o indicado para a Secretaria-Geral, pessoas próximas ao presidente estão tentando convencê-lo a não desfilar em carro aberto. “Ele [Bolsonaro] é muito valente. Não se preocupa, não liga. Ele é muito assim…. paraquedista, mergulhador. Nem com a facada mudou a cabeça”, acrescentou Bebianno.

Recentemente, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, encomendou à sua equipe um estudo para reforçar a segurança de Jair Bolsonaro e sua família a partir da posse. O motivo do pedido, além do atentado sofrido por Bolsonaro na campanha, são as frequentes ameaças direcionadas ao presidente eleito e identificadas pela inteligência do governo.

Etchegoyen não falou em números ou estratégias por questões de segurança, mas avisou que “obviamente” haverá um rigor muito maior no controle a tudo que tem a ver com o presidente eleito. “O esquema que está sendo preparado para receber um presidente que já sofreu um atentado será muito diferente e muito mais severo do que qualquer outro titular do Planalto já viu ou teve”, afirmou o general ao jornal O Estado de São Paulo.

Mais segurança desde ataqueBolsonaro teve sua segurança reforçada pela Polícia Federal durante a corrida eleitoral, após ser vítima de uma facada em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). Segundo informações da área de inteligência, as ameaças continuaram mesmo após a eleição. “O GSI não comenta detalhes de sua responsabilidade com a segurança presidencial, mas confirma que existem ameaças que efetivamente preocupam”, disse o ministro.

A segurança de Bolsonaro após a posse será chefiada pelo general Luiz Fernando Estorilho Baganha. Ele assumirá o cargo no lugar do general Nilton Moreno, que hoje está à frente da montagem da estrutura de proteção ao presidente eleito.

Durante a campanha, o candidato foi avisado que corria risco. Aliados, inclusive, citaram as ameaças como justificativa para que Bolsonaro não participasse dos debates eleitorais na reta final. Anunciado como futuro ministro da Defesa, o general da reserva Augusto Heleno chegou a divulgar um vídeo na véspera da eleição com o alerta para uma “real ameaça de atentado terrorista” contra Bolsonaro, articulada por uma “organização criminosa”.

Na semana passada, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a PF se reuniram para discutir o novo esquema reforçado que irá vigorar durante o governo de transição. Atualmente, uma equipe de 55 homens da PF se revezam na proteção ao presidente eleito. A informação é de que as ameaças partiram de diferentes fontes, inclusive de facções criminosas como PCC e Comando Vermelho.

A ideia é adotar no Brasil algumas das medidas usadas para proteger os presidentes norte-americanos, em que os cuidados com segurança chegam a níveis máximos. As tradicionais entrevistas nas quais o presidente fica rodeado por repórteres, por exemplo – chamadas de quebra-queixo no jargão jornalístico –, devem acabar. Os preparativos de viagens e contato com o público também serão repensados.

Jornalista: Ian Ferraz

Fonte: Metrópoles/10/12/2018
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