24/06/2021

Ataques a agentes eram coordenados por grupo de WhatsApp

Um grupo de WhatsApp batizado como “Vamos para cima” funcionou como uma central de coordenação dos ataques a agentes penitenciários de Mato Grosso nos últimos meses.

Os atentados começaram em março, em retaliação à morte do detento Jesuíno Candido da Cruz Junior, de 27 anos, dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE).

De acordo com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), todas as ações eram coordenadas por um grupo criado no WhatsApp.

As informações foram repassadas durante coletiva na tarde desta terça-feira (03), na diretoria da Polícia Judiciária Civil, em Cuiabá.

Por meio do grupo, membros da facção criminosa Comando Vermelho coordenavam as ações e monitoravam os resultados dos ataques. O objetivo era matar diversos agentes.

A polícia tomou conhecimento do grupo após a apreensão de um aparelho celular pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). Após a morte de Jesuíno, quatro ataques foram realizados na Grande Cuiabá.

Três deles tiveram como alvo casas de agentes e um a sede do Sindspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso). O delegado do GCCO, Diogo Santana, disse que os criminosos investigavam seus alvos antes dos ataques.

“Durante as investigações, conseguimos identificar esse grupo de aplicativo de celular. Eles discutiam especificamente os ataques a serem realizados. Lá, ficou comprovado que eles monitoravam as casas. Várias fotos dos locais alvos foram compartilhadas nos grupos. Até mesmo as armas que seriam usadas eram decididas por lá”, explicou.

Após os ataques, os lideres do grupo questionavam os executores sobre o fato de os agentes não terem sido mortos.

“Após os ataques, os mandantes questionavam os executores por não terem chegado ao objetivo que era a morte dos agentes. Eles eram cobrados duramente pelos líderes dos ataques”, completou Santana.

Em sua fala, o secretário Fausto Freitas (Sejudh), ressaltou que não está descartada a transferência dos lideres dos ataques para prisões federais.

“Nós já cogitamos as transferências dos lideres dos ataques, que consequentemente ocupam uma posição de destaque na facção. Já estamos conversando com as instituições federais para que isso ocorra”, ressaltou.

O secretário Gustavo Garcia (Sesp) destacou que as atuações da segurança pública vão ser intensificadas para impedir que facções se instalem com facilidade no Estado.

“Nos não recuamos em relação ao enfrentamento ao crime organizado. Nós continuaremos empreendendo as funções que nos foram incumbidas para que a sociedade tenha segurança pública. Nós vamos inclusive aumentar as nossas ações para que qualquer pessoa, qualquer grupo que queira se instalar em Mato Grosso tenha dificuldade de atuar no nosso Estado”, disse.

Operação

A operação Segregare, deflagrada na manhã desta terça-feira, prendeu nove mandantes e executores dos ataques. A operação foi deflagrada em Lucas do Rio Verde, Água Boa e Tangará da Serra.

Quatro dos líderes do grupo estavam presos em estabelecimentos prisionais do Estado. São eles: J.L.B. (Lobo), C.L.A. (Timpa), J.P.M. (G3) e G.A.R. (Tangará da Serra).

O quinto, P.C.S. (Petróleo), é um dos principais chefes da facção, que foi solto recentemente. Ele foi preso na cidade de Sorriso, na sexta-feira (29), depois que equipes do GCCO permaneceram em vigília por quatro dias.

Os demais alvos são: B.D.S., W.O.M., E.S.G. e T.O.B.

FONTE;DAFFINY DELGADO
DA REDAÇÃO/03/07/2018