18/10/2021

Doses da Janssen para fronteira abrem novo embate entre CDL e governo

Adelaido Vila, presidente da CDL Campo Grande, e Geraldo Resende. (Foto: montagem)

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) resolveu protestar contra o envio de 150 mil doses da vacina Janssen a 13 municípios da fronteira de Mato Grosso do Sul, para projeto de imunização em massa. Em nota, a entidade “repudia veementemente essa exclusão da Capital e pede bom senso aos gestores, que deixem as disputas políticas de lado, pois o que está em jogo é a vida das pessoas”.

Com o título “Para a Capital apenas restrições e pacientes. Nada de vacinas!”, a CDL reclama da decisão da SES (Secretaria Estadual de Saúde), sobre vacinação de todos os maiores de 18 anos na região de fronteira assim que a Janssen chegar, o que ainda não há previsão.

“Não bastasse recebermos toda essa sobrecarga em nosso sistema hospitalar, ainda somos atacados com decretos que impõem rígidas restrições, com mudanças abruptas nos critérios das bandeiras e com mais ameaças de fechamentos”.

Segundo o presidente da CDL, Adelaido Vila, a entidade não é contrária que a vacina chegue ao interior, mas é preciso “equilíbrio”. Para justificar o que considera injustiça, cita um estudo já divulgado pela prefeitura de Campo Grande. “Nossa Capital, além de ter a maior população, ainda recebe pacientes de todo o Estado. De acordo com auditoria realizada pela Prefeitura, 65% da capacidade hospitalar da cidade foi ocupada, nas últimas semanas, por pessoas que vieram em busca de socorro, fugindo da falta de estrutura da saúde pública no interior”, alega a entidade.

“Auditoria fake” – Durante live nesta sexta-feira (25), o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, rebateu as críticas feitas pela Câmara dos Dirigentes Lojistas ao estudo imunológico que será realizado nos municípios da fronteira de MS.

Disse que a auditoria anunciada pela prefeitura é falsa. “O Denasus [Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde] não fez auditoria na Santa Casa de Campo Grande, no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e nem no Hospital Universitário. Essa dita auditoria é uma auditoria fake, não existe”.

O Denasus, por meio de ofício, informou que “não realizou nenhuma auditoria para verificar ocupação dos leitos de UTI nos hospitais: Santa Casa, Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e HUMAP (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), no período de 01/05/2021 a 18/06/2021”.

Geraldo garante que Campo Grande utilizou apenas um dia de levantamento, o mais crítico, onde havia mais pacientes do interior, para fazer aquela análise. Segundo os dados apresentados por ele, considerando toda a série histórica, a maioria dos pacientes é de Campo Grande.

Segundo ele, a ampla maioria de pacientes que ocupam leitos de UTI nos hospitais da Santa Casa, Regional e Universitário são moradores da Capital. “Isso é o que diz relatório feito pela coordenadora geral do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Silvia Raquel Bambokian”, diz Geraldo.

Sobre as vacinas, o secretário avalia que contrariar o que foi pré-estabelecido seria “romper com a palavra” com os municípios e também com o Ministério da Saúde. “Romperíamos com a palavra e ela tem um significado muito forte. Não dá para verificarmos alguns setores que querem ‘jogar contra’, querem ‘melar o jogo’ agora”, alfinetou sem citar a CDL.

O titular da SES lembrou já que essas cidades vão receber essas doses agora, os imunizantes que viriam futuramente a elas poderá ser destinado para os outros 66 municípios. “O Estado tem oportunidade histórica de ser o estado que vai sair mais precocemente dessa pandemia”, finaliza.

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