23/09/2021

Fabricante da Coca-Cola e outros entram para lista do trabalho escravo

O Ministério do Trabalho divulgou nesta sexta-feira (5/10) uma nova lista de empresas e empregadores envolvidos em trabalho escravo. Dentre os nomes, está um fabricante da coca-cola e a Via Veneto, dona da marca de roupas Brooksfield Dona. Há ainda outros 50 novos integrantes na “lista suja”, que traz 209 empregadores no total. A informação é do portal Uol.

De acordo com a reportagem, a maior marca nacional a ingressar na lista é a Via Veneto. Roupas da sua marca feminina, a Brooksfield Donna, eram costuradas por bolivianos em jornadas de mais de 12 horas em uma oficina pequena, escura e com forte odor devido à ausência de limpeza.

Na fiscalização, cinco trabalhadores imigrantes foram resgatados, todos bolivianos. Entre eles, uma adolescente de 15 anos. Na zona leste de São Paulo, os costureiros trabalhavam sem registro em carteira de trabalho e dormiam no próprio local de trabalho. Alguns, na cozinha.

“Fadiga, estresse, exaustão, dores nas costas, coluna, olhos e juntas, dificuldade para dormir e despertar, sono intranquilo”, foram algumas das consequências físicas da jornada exaustiva, segundo registro do relatório de fiscalização.

Os auditores descobriram que a Brooksfield Donna repassava os pedidos de peças para a confecção MDS, que, por sua vez, repassava as peças cortadas para costura dos imigrantes bolivianos. O processo, considerado como quarteirização da mão-de-obra, foi coberto pela Repórter Brasil em matéria publicada em 2016.

Segundo o texto, a nova lista suja traz ainda a fabricante de Coca-Cola, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas, que integra o grupo Femsa. Fundado no México e presente em 11 países, é considerado o maior engarrafador de Coca-Cola do mundo. No Brasil, são 10 unidades para engarrafamento e 43 centros de distribuição. O tamanho da empresa contrasta com o modo como seus trabalhadores eram tratados.

Os caminhoneiros e ajudantes de entrega da Coca-Cola realizavam, em média, 80 horas extras por mês. Situações extremas chegavam a 140 horas extras por mês. Além de dias inteiros de trabalho ininterrupto na mesma semana em que o funcionário já acumulava o cansaço por fazer jornadas de 12 e 14 horas.

Em alguns casos, a sequência de jornadas exaustivas terminava em afastamento por atestado médico. Os auditores entenderam que essa situação colocava em risco à saúde e à segurança dos funcionários. A fiscalização ocorreu em 2015 e 2016 em quatro unidades da Spal em Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

Jornalista: Da Redação

Fonte: Metrópoles/05/10/2018
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