19/10/2021

Filho desabafa sobre morte de estivador dentro de delegacia no RJ

O filho do estivador aposentado Valdecir de Jesus, de 62 anos, desabafou sobre a morte do pai nesse sábado (22/12), quando ele foi a uma delegacia para registrar a perda do documento de identidade. O homem foi baleado dentro da unidade policial. De acordo com Vladimir Teixeira de Jesus, 33, “o Estado do Rio de Janeiro é o responsável pela morte do meu pai”. As informações do Extra.

“Ele foi morto dentro de uma delegacia do Estado do Rio. Com uma arma do Estado do Rio. Eu acredito que o Estado do Rio seja o responsável. Se vamos processar o Estado? Então, estamos vivendo um dia de cada vez. Primeiro vou confortar minha mãe”, disse Vladmir.

Valdecir havia acordado cedo na sexta-feira (21/12) preocupado em registrar a ocorrência, pois o documento estava perdido havia dois dias e ele viajaria para São Paulo. Morreu com uma carteira do Sindicato dos Empregados e Trabalhadores da Estiva nas mãos, com a qual pretendia comprovar quem era.

Além do antigo estivador, três pessoas foram baleadas, inclusive o homem que abriu fogo na direção de Valdecir dentro da delegacia de polícia. O ex-soldado da Polícia Militar do Rio Grande do Norte Jefferson Perceu Maciel Saraiva havia sido preso uma hora antes, depois de quebrar, com a cabeça, uma porta de vidro do Aeroporto Santos Dumont.

Foi levado algemado e levado à 5ª DP por uma equipe do programa Aterro Presente, mas, para assinar o boletim da ocorrência, um PM teve de soltar suas mãos. Foi quando Jefferson tomou a pistola do policial e atirou duas vezes contra o chefe de segurança da Infraero Marcos Freire, que o conteve no aeroporto até a chegada da equipe do Aterro Presente e foi para a delegacia registrar ocorrência.

Jefferson errou o alvo, e acabou atingindo, primeiramente, Francisco Luiz Xavier, que, assim como Valdecir, tinha ido à delegacia fazer um registro. O estivador aposentado foi baleado logo depois. Mesmo ferido, Francisco correu para fora da 5ª DP, e caiu no asfalto da Rua Gomes Freire. Jefferson ainda tentou matar o delegado que registrava sua prisão, mas errou de novo e baleou o policial civil Nadmar Junger antes de cruzar a porta. Em seguida, roubou uma motocicleta para fugir, mas levou um tiro na cabeça, provavelmente disparado por um PM que chegava com colegas ao local. Foi hospitalizado em estado grave.

Uma testemunha da ação contou que Jefferson estava “perturbado, agressivo”, no momento em que um policial tirou suas algemas. “Ele pediu para ler o registro da prisão. Nesse momento, um dos PMs do Aterro Presente consentiu e tirou as algemas. O rapaz, então, começou a ler o documento em voz alta, e bem devagar. Estava estranho. De repente, arrancou a arma do PM e atirou duas vezes em direção ao funcionário da Infraero que o conteve durante o surto no aeroporto”, detalhou a testemunha. “O segurança nasceu de novo. O bandido estava a menos de quatro metros, e errou o alvo”, detalhou a pessoa, que pediu para não ser identificada.

Histórico de problemas Não foi a primeira vez que Jefferson surtou dentro de uma delegacia. Começou a dar sinais de desequilíbrio quando trabalhava como PM na cidade potiguar de São Miguel do Gostoso. Não se conformava de ter sido abandonado: em 18 de fevereiro de 2014, foi acusado de tentar matar, a tiros, a namorada de sua ex-mulher.

Depois, foi denunciado por invasão a uma residência. Ele se apresentou a uma delegacia para prestar depoimento e, segundo seu advogado, Luiz Henrique de Araújo Diniz, teve nova crise.

“Uma delegada o mandou entregar uma arma, e, quando se virou virou para ligar um computador, ele saltou um balcão e fugiu. Roubou dois veículos e foi parar na casa de um parente em Recife (PE). Não sei como conseguiu chegar até lá. Foi diagnosticado como esquizofrênico paranoide pelo departamento médico da Polícia Militar do Rio Grande do Norte”, detalhou o defensor. “Acabou condenado a 10 anos por tentativa de homicídio, e passou três anos internado numa instituição psiquiátrica”, acrescentou.

Enquanto Jefferson abria fogo na 5ª DP, a mãe dele, a professora Aparecida Maciel, participava de uma missa em celebração ao lançamento de seu livro “A vitória pela fé”, no qual narra as dificuldades que enfrentou para cuidar do filho.

Jornalista: Da Redação

Fonte: Metrópoles/23/12/2018
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