30/11/2021

Justiça recebe denúncia contra PM e mais 21 envolvidos com contrabando

A Justiça Federal recebeu denúncia contra o subtenente da Polícia Militar Silvio César Molina Azevedo e mais 21 envolvidos com contrabando de cigarros e lavagem de dinheiro. O esquema,  ligado à facção paulista Primeiro Comando da Capita (PCC), foi desmontado durante a Operação Laços de Família, deflagrada pela Polícia Federal no dia 25 de junho. Dos investigados, 19 deles estão presos.

Conforme despacho do juiz Bruno César da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, especializada em crimes contra a ordem financeira, as armas e munições apreendidas com o grupo serão encaminhadas ao Comando Militar do Oeste (CMO). Também foi solicitada tradução da documentação processual para que o réu Thyago Rodrigo de Souza, que encontra-se na Itália, seja intimado.

Conforme denunciado pelo Ministério Público Federal, a partir de provas colhidas pela PF, o subtenente Molina operava logística milionária de contrabando de cigarros na fronteira com o Paraguai, nas regiões de Mundo Novo, Naviraí e Eldorado, onde era lotado.

Ele atuou por muito tempo com apoio do filho Jefferson Henrique Piovezan Azevedo Molina, morto no ano passado, aos 25 anos. “A peça descreve com suficiência a existência de um núcleo familiar, que dá inteligibilidade ao enredo em si da chamada Operação Laços de Família, estruturado sobre a figura patriarcal de Silvio Molina e que tinha, ao tempo, liderança concreta deste e de seu filho, Jefferson Molina”, lê-se no despacho.

Também participavam Douglas “Bodinho”, que integrava a liderança, e as figuras de Jair “Chicão” e Maicon Henrique, responsáveis pelo núcleo de transportes e armazenamento, além dos correrias que desempenhavam papel de executores, motoristas e até mesmo seguranças pessoais dos chefes.

“Assim, com base no código de Processo Penal, recebo a denúncia, pois verifico, neste instante de cognição sumária, que a acusação está lastreada em razoável suporte probatório, dando conta da existência das infrações penais descritas e dos indícios de autoria a elas correspondentes”, decidiu.

AERONAVE

Por meio de convênio com a PF, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) recebeu da Justiça Federal um helicóptero helicóptero modelo AS350 B3 Esquilo apreendido durante a Operação Laços de Família, usado pela organização criminosa. A aeronave, que chegou no início do mês, será empregada em operações nas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai, juntamente com o outro helicóptero, Harpia 01. O Governo do Estado ainda tenta obter três aviões apreendidos com outros criminosos.

ESQUEMA

A organização tinha traços de um clã, de forma assemelhada à máfia, em que seus principais cabeças eram de um mesmo grupo familiar, incluindo policial militar, e tinha estreita ligação com a facção paulista PCC. Grandes carregamentos de droga eram remetidos da região fronteiriça para várias regiões do Brasil, geralmente escondidos em caminhões e carretas com cargas aparentemente lícitas, tudo a serviço da criminalidade.

Em contrapartida, o grupo recebia jóias, veículos de luxo e dinheiro por meio de depósitos em contas bancárias de laranjas e de empresas de fachada, como pagamento das cargas criminosas, que garantiam vida luxuosa e nababesca aos patrões do tráfico internacional de drogas, que incutiam o temor e o silêncio na região, pela sua violência e poderio.

Também eram utilizados helicópteros para transportar jóias e dinheiro usados como pagamento do bando, vindos de vários pontos do Brasil, receptores das grandes cargas de droga.

Na ocasião, a Justiça Federal da 3ª Vara de Campo Grande expediu 20 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária, 35 mandados de busca e apreensão em residências e empresas, 136 mandados de sequestros de veículos terrestres, sete mandados de sequestro de aeronaves, cinco mandados de sequestro de embarcações de luxo, 25 mandados de sequestro de imóveis (apartamentos, casas, sítios, imóveis comerciais), os quais foram cumpridos também em São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Norte, além de Mato Grosso do Sul.

Fonte;CORREIO DO ESTADO – 31/08/2018