01/12/2021

Operação expõe, de novo, policiais como facilitadores do contrabando em MS

Uma sofisticada rede de escoamento de cigarros contrabandeados do Paraguai pela fronteira do Mato Grosso do Sul, que se estruturava em dois pilares: um sistema logístico de características empresariais, com a participação de centenas de pessoas exercendo funções de “gerentes”, batedores, olheiros e motoristas e, ainda, a corrupção de policiais militares, civis e rodoviários federais.

A operação da Polícia Federal, deflagrada neste sábado (22) em Mato Grosso do Sul e mais quatro estados, expões, mais uma vez, a corrupção policial como maior facilitadora ao contrabando no Estado.

A situação não é novidade, já que no iníico deste ano, mais de 35 policiais foram presos em Mato Grosso do Sul, por envolvimento em crimes. A maioria é da Polícia Militar, que em maio foi principal alvo da Oiketikus – operação que investiga policiais suspeitos de cobrar propina para facilitar o trânsito de contrabanditas em rodovias estaduais e municípios.

Neste caso, o esquema também era bastante rentável e fez com que o patrimônio de muitos dos investigados mais que triplicasse nos últimos anos. De defensores da ordem pública a suspeitos de crime organizado, alguns policiais recebiam, em média, R$ 30 mil por mês pela participação no esquema.

Já em junho, o subtenente da Polícia Militar Silvio César Molina Azevedo foi preso, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma quadrilha de traficantes de drogas, que atuava em cinco estados do Brasil.

O esquema tinha núcleo em Mundo Novo, município onde o policial era lotado, e só levantou suspeitas, porque a família dele, envolvida nos crimes, ostentava vida luxuosa na cidade, que tem pouco mais de 18 mil habitantes. “Era uma organização criminosa, com traços de máfia e fortes vínculos com uma das maiores facções criminosas do Brasil, que é o PCC [ Primerio Comando da Capital]”, disse delegado Luciano Flores Lima.

Além do policial, esposa e filhos dele costumam circular pela cidade em carros de luxo, alguns avaliados em R$ 500 mil, além de fazer viagens de luxo. A polícia, então, fez um cruzamento de informações com a Receita Federal e descobriu que a quadrilha usava empresas de fachadas, além de “laranjas”, para lavar o dinheiro.

Com trajetória de mais de 20 anos na Polícia Militar, sem nunca antes ter sofrido reclamações de superiores ou mesmo detenção por qualquer motivo que seja .

Na operação de hoje, a PF estima que, em 2017, participantes de uma quadrilha envolvendo policiais de MS tenham sido responsáveis pelo encaminhamento de, ao menos, 1.200 carretas carregadas com cigarros contrabandeados às regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Os valores em mercadorias contrabandeadas atingem cifras superiores a R$ 1,5 bilhão.

Cerca de 280 policiais federais de diversos estados cumprem 35 mandados de prisão preventiva, oito mandados de prisão temporária,  12 suspensões de exercício de atividade policial e 43 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Alagoas.

Entre os presos, além dos líderes e dos “gerentes” da organização criminosa, encontram-se servidores da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Militar e da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

POLÍCIA CORRUPTA
Na época da operação da Operação Oiketikus, a Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul iniciou o processo administrativo interno para avaliar a conduta para posterior expulsão dos 21 integrantes da corporação presos.

Em nota, também em maio, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que todos os presos que ocupavam posições de comando foram afastados e substituídos, e que os fatos atribuídos aos militares são objeto de procedimento em andamento na Corregedoria da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal, de acordo com a competência de cada órgão.

A secretaria informou ainda que, concluídos os procedimentos, os processos devem ser enviados ao MPE, Auditoria Militar Estadual e Ministério Público Federal.

Hoje, o Correio do Estado tentou contato com o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, e com  a Corregedoria da PM, mas as ligações não foram atendida.

Fonte;Correio do Estado/22/09/2018