30/11/2021

Sem Simone, partido de André repete estratégia do PT para se manter vivo nas eleições

A grande aposta do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o ex-governador do estado, André Puccinelli, preso desde o ultimo dia 20 de julho, acusado de desvio e lavagem de dinheiro, vem usado a mesma estratégia até então utilizada pelo PT (Partido dos Trabalhadores) que tenta, através de manobras, aguardar uma possível soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR), para disputar a presidência da República.

Puccinelli e Lula têm casos semelhantes, ambos, mesmo na cadeia, lideram as pesquisas de opinião pública com chances reais de vitória. Caso sejam libertos ainda dentro do prazo legal estipulado pela lei eleitoral, eles poderiam, em tese, substituir as candidaturas e vencer as eleições.

André Puccinelli e Lula seguem presos, mas sonham em concorrer às eleições em outubro deste ano – Imagem: Arquivo / Reprodução / Agência Brasil

No caso do PT, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi escalado para segurar a vaga até o último minuto na esperança de uma virada de mesa junto à Justiça, o que poderia colocar Lula de volta na disputa, com chances reais de o Partido dos Trabalhadores voltar ao comando da nação brasileira.

Em Mato Grosso do Sul, o MDB segue a mesma tática em tentar ganhar fôlego numa possível saída de Puccinelli da cadeia, sendo que ele já teve duas tentativas de soltura negadas pela Justiça. Na última semana, os advogados de André desistiram de um recurso junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) em virtude de a decisão ter caído nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, o mesmo que mandou prender Edson Giroto recentemente.

No caso de Puccinelli, a chance em disputar a eleição mesmo preso é real, pois ele ainda não tem condenação em segunda instância e poderia ter a candidatura registrada mesmo estando privado de liberdade. Diferente de Lula, que já foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, sendo a sentença confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 3º Região (TRF3).

De acordo com reportagem do site Campo grande News, os defensores de Puccinelli preferiam que a decisão fosse analisada pelo também ministro Marco Aurélio Melo. Com a ausência de Puccinelli no cenário, a senadora Simone Tebet, do mesmo partido, foi escalada pelo próprio André para suprir a vaga até então tida como certa para ser ocupada pelo ex-governador.

Com direito a uma convenção cheia de emoção e comoção por parte de lideranças da sigla, o partido cravou então a senadora com sendo candidata a Governo do Estado em substituição a Puccinelli. No último domingo (12), rumores davam conta de uma possível desistência de Simone à sucessão estadual, situação que foi confirmada através de uma nota divulgada pela assessoria da senadora no início da noite. No documento, ela confirmava sua desistência.

Simone fez várias ponderações, justificando questões pessoais para sua renúncia e, ao mesmo tempo, passando o bastão para o então candidato a vice-governador, indicado em convenção, o procurador licenciado Sérgio Harfouche (PSC).

Algumas lideranças da legenda ouvidas pelo Nova News na manhã desta segunda-feira (13), foram categóricas em afirmar que caso o ex-governador saia da prisão em tempo hábil para concorrer, ele será o nome oficial do partido para a disputa.

O prazo legal para o registro de candidaturas segue até esta quarta-feira (15), às 19h. Até lá, tanto Lula quanto Puccinelli mantém as esperanças de seus eleitorados e procuram, de uma forma ou de outra, continuar gerando especulações, tendo seus nomes citados constantemente na mídia.