30/07/2021

Vítima de João de Deus mostra à polícia local onde acontecia abusos

Enviadas especiais a Goiânia (GO) – Uma das mulheres que denunciou o médium João de Deus foi levada pela polícia à Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), na tarde desta quarta-feira (19/12), para reconhecer o local onde foi abusada sexualmente. Segundo o titular da Delegacia de Investigações Criminais (Deic), Valdemir Pereira da Silva, os investigadores estiveram no centro para que o cômodo fosse indicado pela vítima.

Embora João de Deus tenha negado em interrogatório que chamava pessoas para atendimento individualizado, os depoimentos das vítimas atestam o contrário, segundo a polícia. Algumas mulheres, até mesmo as que estiveram na casa para acompanhar familiares, teriam sido convidadas pelo médium para que ficassem sozinhas com ele em uma sala.

“São muitas as que disseram ter sido chamadas para o atendimento individual, e a palavra delas será considerada nas investigações”, disse a delegada Paula Meotti, que integra a força-tarefa.

Dois funcionários da Casa Dom Inácio de Loyola foram ouvidos na Deic nesta tarde. No entanto, detalhes sobre os depoimentos não foram informados. Um deles é Chico Lobo, que atua na administração da casa. O outro é Hamilton Pereira, diretor financeiro do estabelecimento. Ambos foram citados no interrogatório de João de Deus como auxiliares importantes.

Sala fechada Em depoimento, o médium declarou que nunca trancou a porta para atendimentos. Segundo ele, “muitas vezes, é o atendido quem a tranca”.

De acordo com João de Deus, a sala onde as vítimas relatam terem sido abusadas também possui um sofá, um local para refeição e um banheiro. O acusado contou também que há duas janelas na sala, e que uma geralmente fica aberta e a outra, fechada. “Outras pessoas podem visualizar o interior [da sala] do exterior”, afirmou.

Diante de tais declarações, a polícia fez imagens do centro espiritual para poder confrontar com todos os depoimentos colhidos.

Ainda com base em informações da Polícia Civil, durante as buscas feitas na Casa Dom Inácio de Loyola, foram encontrados recibos de cursos superiores que seriam pagos por João de Deus a vítimas. A corporação não divulgou detalhes sobre os supostos pagamentos. Além disso, os investigadores apreenderam mapas que mostram o quanto a casa aumentou de tamanho nos últimos anos.

O advogado criminalista Alberto Toron, que atua na defesa de João de Deus, ressaltou que as autoridades teriam “amplo acesso” a tudo que for preciso. “Não há o que esconder e vamos colaborar”, disse.

Armas e dinheiro Nesta quarta, os policiais não recolheram nenhum material do centro espiritualista. “Não levamos nada de lá”, explicou o delegado. Nos mandados cumpridos na terça-feira (18), a Polícia Civil de Goiás encontrou R$ 400 mil, cinco armas, um simulacro e munição na casa do médium.

O dinheiro estava dividido em notas de euro, dólar, libra, peso e real. Parte do montante foi localizada em fundo falso de um guarda-roupa no quarto do líder espiritual. O armamento estava espalhado em diversos cômodos.

HC negadoO Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta quarta-feira, o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de João de Deus para que o médium responda ao processo em liberdade.

O relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, da 6ª Turma, seguiu o entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) e manteve preso o líder espiritual, acusado de mais de 500 abusos sexuais. Cordeiro também afastou o segredo de Justiça do processo.

O advogado de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, disse que irá ver a decisão e pensar no próximo passo.

 

 

Jornalista: Manoela Albuquerque

Fonte: Metrópoles/19/12//2018
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