Neste domingo (7), o Papa Leão XIV canonizou Carlo Acutis, na Praça São Pedro, em Roma, diante de centenas de pessoas. O jovem italiano morreu em 2006, quando tinha 15 anos, se tornando o primeiro santo da geração millennial. Ficou conhecido como o “patrono da internet”, por ter usado a tecnologia para difundir a religião.
Esta foi também a primeira cerimônia de santificação conduzida pelo pontífice, eleito para o posto mais alto da Igreja Católica em maio. Segundo estimativas do Vaticano , mais de 80 mil pessoas acompanharam à missa na Praça de São Pedro.
Com a canonização, ele passa a ser chamado de santo. Para a Igreja Católica, essa classificação significa reconhecer que a pessoa viveu de forma santa e está no céu.
Segundo o Vaticano, 36 cardeais, 270 bispos e centenas de padres se inscreveram para celebrar a missa ao lado de Leão, em um sinal do enorme apelo dos novos santos tanto para a hierarquia quanto para os fiéis comuns.
Chamado de padroeiro da internet, Acutis conquistou uma legião de devotos e ganhou fama por usar seu talento em computação para evangelizar online.
O jovem aprendeu programação para criar sites e divulgar a fé católica. Sua trajetória passou a inspirar especialmente os jovens da Igreja.
Na cerimônia, o Papa pediu que os jovens “não desperdiçassem a vida”.
“Os santos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis são um convite para todos nós, especialmente para os jovens, para não desperdiçar a vida, mas sim orientá-la para o alto e fazer dela uma obra-prima. Eles nos encorajam com suas palavras: ‘Não eu, mas Deus’, dizia Carlo, e Pier Giorgio: ‘Se você tiver Deus como centro de todas as suas ações, então você chegará até o fim’”, afirmou o pontífice em sua homilia.
Dois novos santos
Além de Acutis (1991–2006), também foi canonizado o jovem italiano Pier Giorgio Frassati (1901–1925). O cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para a Causa de Todos os Santos, leu as biografias dos dois beatos antes da fórmula de canonização em latim. Após a proclamação do Papa, a Praça de São Pedro explodiu em aplausos.
O evento reuniu fiéis de várias partes do mundo, muitos deles jovens devotos de Acutis, que levavam bandeiras e imagens do adolescente. A cerimônia também contou com a presença do presidente italiano, Sergio Mattarella, além dos pais e irmãos de Carlo. Sua mãe, Antonia Salzano, levou ao altar o relicário com um fragmento do coração do filho.
Carlo Acutis, o “santo da internet”
Nascido em Londres, mas criado em Milão, Carlo era considerado um prodígio da informática e utilizava a internet para difundir a fé católica. Faleceu em 2006, aos 15 anos, vítima de leucemia. Em 2020, foi beatificado após a aprovação de um milagre atribuído à sua intercessão, a cura de um menino brasileiro em Campo Grande (MS).
Semeraro descreveu o novo santo como alguém que fez da Eucaristia a sua “autoestrada para o céu”, vivendo uma espiritualidade profunda dentro da realidade de sua idade.
Milagre no Brasil
Após a morte de Carlo Acutis, o padre Marcelo Tenório, da Paróquia São Sebastião, em Campo Grande, passou a realizar a missa anual de Nossa Senhora Aparecida sempre com a exposição de uma roupa que teria sangue do beato italiano.
Em uma dessas missas, no ano de 2010, um avô desesperado com o diagnóstico do neto doente o levou até a paróquia. Segundo a família, o garoto foi curado após tocar a vestimenta.
“A criança, me lembro bem, estava raquítica e tinha problemas de pâncreas anular. Ela não comia nada, não ingeria nem sólido, nem líquido, e teve a cura logo depois”, afirmou o padre Marcelo Tenório
Frassati, o caridoso
Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim, em uma família de elite, mas dedicou a vida a ajudar os mais pobres. Morreu de poliomielite aos 24 anos. Só após sua morte, durante o funeral, sua caridade silenciosa foi revelada, ao reunir uma multidão de marginalizados que ele havia ajudado em segredo.
Para o cardeal Semeraro, Frassati encarna o ideal do leigo do Concílio Vaticano II, alguém que vive o Evangelho no cotidiano, sem alarde.
Santos da rua
A canonização de Acutis e Frassati foi interpretada como um gesto simbólico de valorização dos chamados “santos da rua”, termo usado pelo Papa Francisco para descrever aqueles que viveram a santidade fora dos conventos ou do clero.
Segundo o Papa Leão XIV, os dois jovens se tornam modelos para as novas gerações.
“Eles nos mostram que a santidade é um chamado universal, acessível a todos, em qualquer idade ou condição”, destacou.
