Pacientes com um dos tipos mais agressivos de câncer do sangue terão acesso a uma nova alternativa terapêutica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde oficializou a incorporação do venetoclax em combinação com azacitidina para o tratamento de adultos com leucemia mieloide aguda (LMA) recém-diagnosticada que não podem receber quimioterapia intensiva.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, nesta segunda-feira (15), por meio da Portaria SCTIE/MS nº 30, assinada pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri.
Com a medida, a combinação dos dois medicamentos passa a integrar os protocolos clínicos do SUS para um grupo de pacientes que frequentemente possui menos opções de tratamento, especialmente idosos e pessoas com outras doenças associadas.
Segundo a portaria, o Ministério da Saúde terá prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta da terapia na rede pública.
O que é a leucemia mieloide aguda?
Embora muitas pessoas se refiram à leucemia como uma única doença, ela engloba diferentes tipos de câncer que afetam o sangue e a medula óssea.
Os especialistas classificam as leucemias em dois grandes grupos: agudas e crônicas. As formas agudas se desenvolvem rapidamente a partir de células imaturas e exigem tratamento imediato. Já as crônicas costumam evoluir de forma mais lenta e podem permanecer sem sintomas por meses ou até anos.
Outro critério importante é a origem das células afetadas. Nas leucemias mieloides, a doença atinge células precursoras responsáveis pela formação dos glóbulos vermelhos, das plaquetas e de parte dos glóbulos brancos. Já as leucemias linfoides comprometem os linfócitos, células fundamentais para a defesa do organismo.
A leucemia mieloide aguda está entre as formas mais agressivas da doença. Os sintomas podem surgir em poucas semanas e incluem cansaço intenso, palidez, febre persistente, infecções frequentes, hematomas espontâneos, sangramentos pelo nariz ou gengivas, além de perda de peso, dores ósseas e suor noturno.
O diagnóstico geralmente começa após alterações identificadas em exames de sangue, como o hemograma. A confirmação depende de avaliações da medula óssea, incluindo o mielograma, além de testes genéticos que ajudam a definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Como funciona o novo tratamento incorporado ao SUS
O venetoclax faz parte de uma classe conhecida como terapias-alvo. O medicamento atua bloqueando proteínas que ajudam as células cancerígenas a sobreviver e se multiplicar.
Já a azacitidina interfere diretamente nos mecanismos de crescimento e reprodução das células doentes.
Nos últimos anos, a combinação dos dois medicamentos se consolidou como uma das principais alternativas para pacientes com leucemia mieloide aguda que não conseguem tolerar os efeitos de uma quimioterapia intensiva, situação comum entre idosos e pessoas com outras condições de saúde.
Atualmente, o tratamento da leucemia pode envolver diferentes estratégias, incluindo quimioterapia convencional, terapias-alvo, imunoterapia, medicamentos orais e transplante de medula óssea.
Em casos específicos, especialmente entre pacientes mais jovens ou com maior risco de recaída, o transplante continua sendo uma das abordagens com maior potencial curativo. O procedimento consiste na substituição da medula óssea doente por células-tronco saudáveis de um doador compatível, após a destruição das células comprometidas por quimioterapia ou radioterapia.
Com a incorporação do venetoclax associado à azacitidina, o SUS amplia o acesso a tratamentos mais modernos para pacientes que enfrentam uma das formas mais graves de câncer do sangue e que, muitas vezes, possuem opções terapêuticas limitadas.
Fonte por primeirapagina.com.br
